• Descoberto como o cérebro decide entre esforço e recompensa

    Cada ação que praticamos envolve um gasto de energia, no entanto, não estar disposto a esforçar-se é um sintoma de uma variedade de distúrbios mentais, por isso, percebendo como o cérebro processa decisões sobre esforço versus recompensa poderá providenciar informação sobre estes distúrbios.

    Num estudo suportado pelo Concelho Europeu de Investigação e o Fundo Wellcome, a equipa de investigadores decidiu verificar se haveria um sistema distinto no cérebro envolvido na ponderação de gastos físicos.

    Foi pedido aos voluntários que tomassem decisões envolvendo diferentes recompensas monetárias e esforço físico enquanto se encontravam dentro de um equipamento de ressonância magnética. Os investigadores descobriram, sem surpresa, que alta recompensa e baixo esforço físico foram as opções mais escolhidas. Observaram de seguida as áreas do cérebro envolvidas na tomada de decisão e encontraram um padrão relevante de atividade em três áreas do cérebro, a área motora suplementar (SMA), o córtex cingulado dorsal anterior (dACC) e o putamen.

    Numa análise mais aprofundada a equipa verificou que a avaliação do esforço está centrada na SMA e no putamen, com uma rede separada no córtex pré-frontal ventromedial que avalia a recompensa. O dACC codifica a diferença entre esforço e recompensa como um valor único, reunindo os resultados dos dois circuitos neurais.

    Uma das investigadoras, Dra. Miriam Klein-Flügge, refere que “este estudo encaixa-se e acrescenta às conclusões de outros estudos. Não há apenas um único sistema de tomada de decisão no cérebro mas um conjunto de sistemas que combinam flexivelmente dependendo da decisão que enfrentamos. Identificámos o sistema relacionado com o esforço, um fator comum em muitas decisões.”

    Klein-Flügge acrescenta também que este estudo oferece uma compreensão para diversos distúrbios, tais como depressão, apatia e esquizofrenia de sintoma negativo. Pacientes com estes distúrbios demonstram frequentemente uma capacidade reduzida para fazer um esforço de modo a obter uma recompensa.

    Esta investigação é a primeira a mostrar uma região do cérebro envolvida na comparação do tamanho da recompensa e no esforço necessário para a conseguir. Tendo em conta que uma variedade de condições psiquiátricas envolvem dificuldades em atingir recompensas quando estas envolvem esforço, estas conclusões oferecem diferentes caminhos para futuras pesquisas para testar mais precisamente se, e como, o equilíbrio esforço/recompensa pode dar errado.

     

    DOI do artigo: 10.1523/JNEUROSCI.0292-16.2016

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