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    Estimulação elétrica contínua ajuda pacientes epiléticos

    A epilepsia é um distúrbio do sistema nervoso central no qual a atividade das células nervosas do cérebro é interrompida. A estimulação elétrica do cérebro tem sido usada como tratamento de último recurso, quando a medicação e a cirurgia não são eficazes.

    Abordagens típicas como estimulação do nervo vago ou estimulação responsiva dos nervos, raramente param as convulsões. No entanto um novo estudo, realizado pela Clínica Mayo (Estados Unidos), veio mostrar que as convulsões eram suprimidas em pacientes tratados com estimulação elétrica contínua.

    Participaram neste estudo pacientes com epilepsia resistente a medicamentos e que não foram considerados aptos para cirurgia, onde é removida uma parte do cérebro geralmente do tamanho de uma bola de golfe. Quando os pacientes são avaliados para cirurgia é colocada uma rede elétrica sobre o cérebro para registar as convulsões e as descargas epileptiformes interictais (IEDs). As IEDs são descargas elétricas que ocorrem intermitentemente durante o funcionamento normal do cérebro, e têm sido usadas como marcadores para localizar as áreas do cérebro afetadas pela epilepsia.

    Os investigadores usaram a rede elétrica para estimulação em níveis que o paciente não sentisse. Se a estimulação mostrasse benefícios clínicos no paciente, a rede temporária seria substituída por uma mais permanente que oferecia estimulação contínua. A maioria dos pacientes experienciou mais de 50 por cento de redução de convulsões, e 44 por cento ficaram livres de convulsões incapacitantes. A taxa de redução em IEDs ocorreu dentro de minutos após início da estimulação.

    Brian Lundstrom, do departamento de neurologia da Clínica Mayo, diz que “este estudo sugere que a estimulação subliminar subcortical tanto é eficaz clinicamente como na redução de IEDs”. A equipa acredita que esta abordagem não só providencia um tratamento eficaz para os pacientes que têm epilepsia focal mas que também permitirá o desenvolvimento de formas de avaliar o risco de convulsões em qualquer paciente com epilepsia. “Seria um benefício clínico enorme se conseguíssemos personalizar um regime de tratamento individualizado para cada paciente sem ter de esperar que as convulsões iniciassem”, acrescenta Lundstrom.

    Para pacientes com epilepsia as convulsões limitam severamente a habilidade de desempenhar funções em que a perda momentânea de consciência pode ser desastrosa, como na condução de veículos, natação ou no segurar de uma criança, por exemplo. O tratamento com medicação ou cirurgia pode controlar as convulsões de dois terços da população com epilepsia. No entanto, quando ocorre epilepsia focal resistente aos medicamentos numa área do cérebro que controla a fala, a linguagem, a visão, a sensação ou o movimento, a cirurgia de resseção não é uma opção.

    Os riscos da estimulação subliminar subcortical são relativamente diminutos e incluem riscos de infeção e hemorragia típicos, bem como a possibilidade de ocorrer estimulação não subliminar que seja percetível pelo paciente.

    Este estudo representa o esforço contínuo para restaurar a função normal do tecido cerebral afetado usando a neuroestimulação. “Para as pessoas que têm epilepsia que não pode ser tratada com cirurgia ou medicação, a neuroestimulação pode ser uma opção de tratamento fantástica”, refere Lundstrom.

     

     

    DOI do artigo: 10.1001/jamaneurol.2016.2857

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